quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Turcips truncatus (bebe)


Então estou correndo na praia e vejo essa toninha (Turcips truncatus) morta na praia. A dor da mãe deve ser algo enorme. Não deixo de pensar nisso. Vejo marcas de rede pelo corpo e sei que sou, de certa forma responsável pela criaturinha morta. Pesca indecente, comprador avarento. Não existe tempo pra raciocinio quando se trata de conseguir o melhor preço. Caro quem pagou foi a mae do golfinho e ele mesmo...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Surf em Puerto Escondido

Puerto Escondido está em Oaxaca, no México/ foto de Runens Pina/ setembro 2005

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Economia, qual é?

Hoje estava caminhando na Oswaldo Aranha, quando passei em frente à uma loja de Xerox. Na frente da loja havia uma placa, ela dizia: Xerox 0,08 centavos a partir de 50 folhas frente e verso.
Isso me atingiu de uma maneira muito estranha, porque veio de encontro a uma teoria que eu estou mastigando a mais tempo do que eu gostaria, sem nem mesmo saber como passar para o papel. O que essa mensagem me dizia era o seguinte: Faça bastante e você vai ganhar desconto.
Essa não é a única faceta onde essa mentalidade aparece, mas em tudo, inclusive na minha aula de economia, quando se diz: É melhor mandar alguém construir uma parede e derruba-la do que não fazer nada, para movimentar a economia e também o dinheiro, passar um pouco dele para o trabalhador e lhe dar atividade. Essa frase está escrita tal qual falou um dos mais conceituados professores da faculdade de economia da universidade federal de Porto Alegre. Em outras palavras ela talvez se adapte à idéia que passei no parágrafo acima: "melhor consumir sempre, quanto mais possível, assim movimentamos a economia."
São duas frases diferentes e com certeza não se referem ao mesmo assunto,o que estou tratando aqui é a mentalidade e não o caso em si. Embora eu pudesse falar que temos árvores limitadas para o papel e também água limitada para fazer o concreto e que, na realidade estamos movendo a economia para um fim, quando não tivermos mais recursos não teremos mais economia e nem poderemos comer nosso "rico dinheirinho".
O fato é que depois de passar por essa livraria e ler o anúncio, muitas coisas começaram a vir à minha cabeça, coisas que eu devia escrever, falar, mostrar para alguém. Não sei o que devo fazer, mas sei que essas idéias ficavam se passando agressivas na minha cabeça, repetitivas, inclusive me fizeram caminhar mais rápido e não conseguir parar até escrever esse texto. Pensava comigo mesmo em todos esses casos juntos e outros. Pensava na máquina econômica se movendo rápido e com incentivo de todos que podem e os que não podem tentam se ajustar na maquina da economia(mesmo o papeleiro, puxando sua carroça). Pensei: como podemos chamar de economia o que na verdade se chama consumo?
Estamos esgotando recursos naturais, os quais chamamos de recursos livres da natureza enquanto dizemos que geramos lucros e produzimos. Esses mesmos recursos levaram centenas de anos para serem produzidos e a única coisa que posso dizer é que não vieram do nada, não foi de graça e com certeza são limitados.
Fiquei pensando que tipo de lucro é esse, senão papel e números no banco. O que estamos produzindo, se na verdade estamos juntando recursos naturais e no máximo estamos transformando-os em produtos industriais?
Se é isso que queremos então a expressão correta é transformação e consumo, isso que estamos fazendo, nunca produzindo. Não vejo uma laranja ser transformada em dois sucos ou mesmo um papel em dois, vejo uma arvore virar papel e depois ser trocada por 0,08 centavos, se fazemos mais cópias. Não seria o correto dar desconto para quem se contenta e consegue usar apenas 5 cópias e não está acabando com todos nossos recursos naturais?
Existe um incentivo para o consumismo enquanto os recursos vão se esgotando cada vez mais, não é isso um paradoxo ou contradição? Não sei bem o que é, sei que quanto mais incentivarmos o atacado , menos vamos ter para o futuro. Por que não incentivar o varejo? Ou mesmo quem economiza?
Tenho aí uma teoria. É que quem compra em varejo é "pobre", quem produz em varejo é artesão e não ganha dinheiro. Essas pessoas não estão em posição de comandar a economia, então são os ricos que fazem em grande escala e vendem em grande escala, e é também quem tem dinheiro que compra em grande escala.Daí vem esse interesse da economia de dirigir tudo em grande escala, para dar mais pra quem tem mais. Não é o artesão que mantêm os juros altos, mas sim os economistas do banco central. Os artesãos são pobres, não estão em posição para defender as decisões tomadas na economia. Um incentivo cada vez maior para o rico se tornar rico e o pobre, pobre.
São sabidos quais os cargos de dinheiro e quais os cargos que são responsáveis pela distribuição de renda. Acredito que não estejam sendo ocupadas por pessoas das massas, embora a economia seja movimentada pelas massas.Possivelmente são alguns poucos, nascidos em berço, que tem instruções para concursos ou Q.I (Quem indique), que estão ocupando esses cargos e tomando decisões que afetam a vida de milhões. Decisões tomadas em benefício da economia, sempre para o bem da economia e sua estabilidade. Como um cavaleiro comandando uma carruagem com 15 cavalos ou mais, usando suas duas mãos para segurar uma rédea que dirige milhões e milhões. Ciência e estado parecem mascaras administrativos.
Não sei se isso é muito ousado, mas a economia ou sistema econômico parece ser uma expressão simplesmente usada para defender a máquina consumista liderada por essas elites. Por traz de um disfarce. Para se dizer : A economia funciona assim, a economia funciona assado.Quando na verdade deveria se dizer: As pessoas no comando querem assim. Talvez vá tão fundo quanto eu diga aqui e maisEssa máquina de consumo funciona exatamente como pensam as pessoas que à governam, de uma maneira auto-destutiva, se fagocitando e se consumindo por dentro. Tanto economicamente como pessoalmente.

Refletindo

Cada vez mais aprecio meus colegas e professores que trabalham com a biologia prática. Lidam diretamente com a manutenção e conservação de espécies que são ameaçadas de extinção. Não estão culpando a humanidade por ser egoísta e ignorante em relação à fauna e a flora que nos cercam. Estão fazendo o que têm que ser feito sem ao menos reclamar. Mesmo sabendo que uma extinção em massa é praticamente inevitável, vão ser aqueles a lutar e proteger a vida até o fim. Nesse sentido temos algo em comum. A paixão pela natureza. Estou aqui tentando passar uma mensagem na esperança de que pessoas tornem-se conscientes de que a maneira como vivemos hoje não é própria para que o planeta esteja em harmonia. Estou escrevendo, pensando e filosofando. Enquanto alguns de meus admirados colegas estão colocando a mão na massa- dia e noite- buscando fazer alguma diferença prática na vida dos animais que tanto admiramos.
Tento alcançar uma conscientização coletiva ecológica. Se todos nós começarmos a dar maior valor à natureza juntos, podemos minimizar o quadro desesperador e garantir uma melhor herança para a raça humana e todas as outras no futuro. Pensar que tucanos não serão mais vistos pelo meu filho me entristece e creio que entristece a qualquer um que tem um pouco de esperança e visualiza o rumo para o qual nossa historia esta progredindo, o futuro. Falta de informação é um mau que nos assola. Em uma era de extrema comunicação vejo muita alienação. Através de palavras vou tentar abrir os olhos de quem quiser.
Quando falo em herança não falo de dinheiro. Falo da possibilidade de umas férias acampando em família, alimentando lagartos e observando pássaros e peixes. Falo da interação com a natureza e da beleza dessas experiências. Não sou um sonhador que pensa que o dinheiro não é necessário, afinal para podermos ir a um lugar bonito precisamos de dinheiro. O que quero dizer é que o dinheiro serve de desculpa para que façamos coisas absurdas como desmatamento de árvores e extermínio de animais, seja para venda de suas penas e dentes ou para alimentação. Uma coisa que não pensamos tanto por parecer mais distante é: Quando se terminarem os peixes não poderemos comer nosso dinheiro, ou, que ar iremos respirar quando nossa atmosfera atingir níveis de poluição perigosos¿?
A natureza leva um período muito maior do que uma geração humana para se reconstituir, enquanto que para depreda-la e extingui-la necessitamos apenas continuar fazendo o mesmo que fazemos todos os dias. Não sou um ministro ou religioso para dizer o que as pessoas devem fazer para que o mundo seja ideal.
Não creio que possua conhecimento e visão geral para faze-lo, alias, não creio que exista um ser humano que possa indicar o caminho. Reflexão é o que peço ao leitor desse texto e o que venho fazendo. Que pensemos no que estamos fazendo hoje aonde isso vai nos levar já faz com que mudemos de alguma maneira nossa atitude em relação ao que vem acontecendo à nossa volta. Não consigo mais me calar vendo os seres humanos comprando “ouro de tolo”. Trocando bens naturais por moedas e a natureza por televisões. Quanto mais penso, mais quero fazer algo para melhorar as coisas, escrever e estudar e conscientizar é minha maneira, qual será a sua¿

Vida

Vida...
Me perco no significado dessa palavra de apenas quatro letras. A biologia é justamente o estudo dos mecanismos da vida e é com ela que estou envolvido.
Creio que todos nós estamos engajados à biologia de uma maneira ou de outra, afinal, estamos vivos e nos relacionamos entre nós e com animais -por mais que isso se torne cada vez mais raro- não podemos parar de aprender e interagir.
Quando penso na minha vida começo a viajar para outras dimensões, outros lugares em outros fases da minha vida.Traumas da infância, momentos felizes ou emocionantes como uma formatura. Tristes como a morte de um parente ou animalzinho de estimação. Tensos como quando temos alguém querido entre a vida e a morte, também de prazeres imensos. Todos os momentos que me lembro me deixaram marcas, de um jeito ou de outro tiveram e têm peso para mim, creio que são quase inesquecíveis. Pensar que todos os seres nesse planeta têm suas vidas e suas marcas, faz com que me sinta perplexo.
A magnitude da vida é tão impressionante que para colocar todas essas vidas de uma maneira clara só posso pensar que tudo que conhecemos, do universo à formiga é uma coisa só, uma vida. Fazemos parte da mesma história. A história da minha vida e a historia do universo acontecem ao mesmo tempo e lugares em comum.
Se for verdade o que parece e temos apenas uma vida, cada um de nós, então é extremamente importante o que fazemos com ela. De uma maneira ou de outra acabei por estudar a biologia. Da biologia marinha à gestão ambiental creio que minha missão seja demonstrar a interconectividade entre todas as vidas. Da aranha ao mosquito- sua presa- até o humano, a preza do mosquito...
Claro que essa conexão é facilmente explicada, afinal, pouco tempo de observação nos proveria claras evidencias da interação entre esses seres tão diferentes. Outras interações já não são tão claras. Não acontecem com tanta freqüência e são essas mesmas as mais significativas.
Não consigo explicar como posso pensar em alguém e ao mesmo tempo essa pessoa pode pensar em mim. Ou como pessoas pensam em coisas iguais ao mesmo tempo. Não sei dizer porque um simples olhar pode expressar mais do que mil palavras, como se um sentimento ou um olhar fosse extremamente palpável. Uma comunicação que é mais do que natural, mas que por ser presenciada apenas algumas vezes, parece sobrenatural.
Bilhões de anos de evolução não podem ter sido em vão. É de acordo com esse conceito de interação de longa data e parentesco de todos os seres que começo a acreditar que o ser humano não viu nem a ponta do iceberg, no que consideramos as belezas da natureza. Câmeras digitais cada vez mais fazem com que olhemos menos com nossos próprios olhos para a realidade. Os paradigmas de investigação e aprendizado parecem cada vez mais nos afastar do que a vida oferece de verdadeiro, de pesado e significante.
Ver um leão caçando um veado na savana através da televisão é uma coisa, podemos até fazer piadas. Estar lá e saber que se o leão escolher outro caminho podemos ser nós a nos deparar com o predador, faz com que encaremos a situação e julguemos o leão e nos mesmos de uma maneira bem diferente.
Sentir a presença de um animal desses é algo que realmente mexe conosco, de uma maneira extremamente difícil de explicar. O coração bate mais forte, o poder da oração na hora aparece e começamos a delirar em pensamentos de salvação e postura defensiva ou não, dependendo da pessoa. O que quero dizer é que a experiência é um fato, enquanto que toda e qualquer separação deste animal, seja por foto ou mesmo por aquário superficializa toda a experiência. Mesmo que pensemos que tal experiência foi profunda, acreditem, não se compara com a realidade da natureza imprevisível. O fato de que nós humanos podemos caçar tubarões e outros animais e ter proteção contra ele não me parece uma vantagem, mas apenas um retardamento no que tange a evolução da vida e do universo.
Já vi muitos golfinhos em aquários e em fotos, mas foi quando me vi frente à frente com um deles- cara-a-cara- dentro do mar sem nenhum outro humano observando ou barreira entre nós, tive a impressão de ser julgado por ele. Ele estava em seu habitat natural e passava realmente perto, expondo seu corpo. Deslizava pela água e exponha seu corpo para mim, da cabeça a calda. Enquanto o fazia me olhava olhos nos olhos. Nesse momento me dei conta, se não da minha insignificância em relação a ele, pelo menos da nossa igualdade.
Admito que me aterrorizei durante algum tempo, até que adquiri uma postura de respeito e comecei a agir como tal, remando mais calmamente, com a coluna ereta e realmente presente, analisando meus movimentos na água e também os dele, tentando prever suas reações e entender sua maneira de agir. Nesse momento a postura do golfinho começou a ser mais amena, nadando mais calmamente e se afastando, até que desapareceu, me parecendo satisfeito com a experiência. Muitos me chamariam de louco por estar lá ou mesmo por achar que me comuniquei com um golfinho. A única coisa que posso dizer a respeito dessa experiência é que ela foi significante para mim. Sem ela, eu continuaria com uma postura desatenta e ausente na água. Saí da água me sentindo diferente e creio que sejam essas experiências de interação real com a natureza que nos conduzem à nossa verdade biológica. Não sei como o golfinho se sentiu, mas estou certo de ele não foi completamente indiferente a toda aquela experiência.