terça-feira, 13 de novembro de 2007

Economia, qual é?

Hoje estava caminhando na Oswaldo Aranha, quando passei em frente à uma loja de Xerox. Na frente da loja havia uma placa, ela dizia: Xerox 0,08 centavos a partir de 50 folhas frente e verso.
Isso me atingiu de uma maneira muito estranha, porque veio de encontro a uma teoria que eu estou mastigando a mais tempo do que eu gostaria, sem nem mesmo saber como passar para o papel. O que essa mensagem me dizia era o seguinte: Faça bastante e você vai ganhar desconto.
Essa não é a única faceta onde essa mentalidade aparece, mas em tudo, inclusive na minha aula de economia, quando se diz: É melhor mandar alguém construir uma parede e derruba-la do que não fazer nada, para movimentar a economia e também o dinheiro, passar um pouco dele para o trabalhador e lhe dar atividade. Essa frase está escrita tal qual falou um dos mais conceituados professores da faculdade de economia da universidade federal de Porto Alegre. Em outras palavras ela talvez se adapte à idéia que passei no parágrafo acima: "melhor consumir sempre, quanto mais possível, assim movimentamos a economia."
São duas frases diferentes e com certeza não se referem ao mesmo assunto,o que estou tratando aqui é a mentalidade e não o caso em si. Embora eu pudesse falar que temos árvores limitadas para o papel e também água limitada para fazer o concreto e que, na realidade estamos movendo a economia para um fim, quando não tivermos mais recursos não teremos mais economia e nem poderemos comer nosso "rico dinheirinho".
O fato é que depois de passar por essa livraria e ler o anúncio, muitas coisas começaram a vir à minha cabeça, coisas que eu devia escrever, falar, mostrar para alguém. Não sei o que devo fazer, mas sei que essas idéias ficavam se passando agressivas na minha cabeça, repetitivas, inclusive me fizeram caminhar mais rápido e não conseguir parar até escrever esse texto. Pensava comigo mesmo em todos esses casos juntos e outros. Pensava na máquina econômica se movendo rápido e com incentivo de todos que podem e os que não podem tentam se ajustar na maquina da economia(mesmo o papeleiro, puxando sua carroça). Pensei: como podemos chamar de economia o que na verdade se chama consumo?
Estamos esgotando recursos naturais, os quais chamamos de recursos livres da natureza enquanto dizemos que geramos lucros e produzimos. Esses mesmos recursos levaram centenas de anos para serem produzidos e a única coisa que posso dizer é que não vieram do nada, não foi de graça e com certeza são limitados.
Fiquei pensando que tipo de lucro é esse, senão papel e números no banco. O que estamos produzindo, se na verdade estamos juntando recursos naturais e no máximo estamos transformando-os em produtos industriais?
Se é isso que queremos então a expressão correta é transformação e consumo, isso que estamos fazendo, nunca produzindo. Não vejo uma laranja ser transformada em dois sucos ou mesmo um papel em dois, vejo uma arvore virar papel e depois ser trocada por 0,08 centavos, se fazemos mais cópias. Não seria o correto dar desconto para quem se contenta e consegue usar apenas 5 cópias e não está acabando com todos nossos recursos naturais?
Existe um incentivo para o consumismo enquanto os recursos vão se esgotando cada vez mais, não é isso um paradoxo ou contradição? Não sei bem o que é, sei que quanto mais incentivarmos o atacado , menos vamos ter para o futuro. Por que não incentivar o varejo? Ou mesmo quem economiza?
Tenho aí uma teoria. É que quem compra em varejo é "pobre", quem produz em varejo é artesão e não ganha dinheiro. Essas pessoas não estão em posição de comandar a economia, então são os ricos que fazem em grande escala e vendem em grande escala, e é também quem tem dinheiro que compra em grande escala.Daí vem esse interesse da economia de dirigir tudo em grande escala, para dar mais pra quem tem mais. Não é o artesão que mantêm os juros altos, mas sim os economistas do banco central. Os artesãos são pobres, não estão em posição para defender as decisões tomadas na economia. Um incentivo cada vez maior para o rico se tornar rico e o pobre, pobre.
São sabidos quais os cargos de dinheiro e quais os cargos que são responsáveis pela distribuição de renda. Acredito que não estejam sendo ocupadas por pessoas das massas, embora a economia seja movimentada pelas massas.Possivelmente são alguns poucos, nascidos em berço, que tem instruções para concursos ou Q.I (Quem indique), que estão ocupando esses cargos e tomando decisões que afetam a vida de milhões. Decisões tomadas em benefício da economia, sempre para o bem da economia e sua estabilidade. Como um cavaleiro comandando uma carruagem com 15 cavalos ou mais, usando suas duas mãos para segurar uma rédea que dirige milhões e milhões. Ciência e estado parecem mascaras administrativos.
Não sei se isso é muito ousado, mas a economia ou sistema econômico parece ser uma expressão simplesmente usada para defender a máquina consumista liderada por essas elites. Por traz de um disfarce. Para se dizer : A economia funciona assim, a economia funciona assado.Quando na verdade deveria se dizer: As pessoas no comando querem assim. Talvez vá tão fundo quanto eu diga aqui e maisEssa máquina de consumo funciona exatamente como pensam as pessoas que à governam, de uma maneira auto-destutiva, se fagocitando e se consumindo por dentro. Tanto economicamente como pessoalmente.

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